
Foi terminar o jogo e as manchetes da nossa imprensa sensacionalista eram uníssonas: "
De heroi a vilão". Na capa dos principais tablóides eletrônicos (
v.g. Uol, Globo On Line, Terra) a mesma chamada - o que demonstra a pasteurização e a falta de criatividade da imprensa marrom. "
Jornalixo puro", diria um amigo 'das antiga'.
A falta de capacidade de uma reflexão um pouco mais elaborada sobre um fenômeno nada complexo sobre o futebol - se comparado à questão da violência, p. ex. - deixa evidenciada as marcas do jornalismo autal: superficialidade e moralização da informação.
E o principal sintoma da moralização são os processos de culpabilização: identificar o inimigo, o vilão ou o aliado, o heroi. Neste pêndulo maniqueísta próprio dos pânicos morais nossa sociedade goza.
Causas da desclassificação: inúmeras; nenhuma determinante. Culpados: existem? É possível direcionar toda a raiva para o
técnico - que não chamou quem a imprensa queria para manter ainda mais coeso o grupo com que vinha trabalhando desde 2006? -, o
volante - pelo estado emocional? -, o
goleiro - pela falha no primeiro gol?

Prefiro não culpar ninguém, pois não creio que exista "O" culpado. Fiquei triste e vou seguir assistindo aos jogos - com especial preferência pela esquadra celeste, neste momento. E esperar a continuidade do que efetivamente me interessa neste ano: Libertadores da América.
A propósito: sobre a complexidade da violência, das culpas, das demonizações e das resoluções de conflitos, o
GCrim assistirá nesta semana o filme
Desonra, com
John Malkovich, baseado no livro homônimo do Nobel de literatura
J. M. Coetzee. De conteúdo assustador...