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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Santa Maria: um tributo, uma homenagem

Comoventes as manifestações em Santa Maria que lembram um mês do acidente na Boate Kiss - uso propositalmente o termo acidente (a) em razão da negativa exploração sensacionalista que a mídia fez da noção de tragédia (na maioria das vezes expondo de forma violenta as vítimas e os seus familiares); e (b) em razão de não acreditar que os responsáveis, sejam agentes públicos e/ou empresários, tenham "assumido o risco" do evento (falando tecnicamente em termos de "dolo eventual"). 
A imputação de homicídio doloso qualificado representa apenas mais um sintoma de nossa cultura inquisitória e punitivista. Depois de um mês lendo atentamente as reportagens, estou cada vez mais convencido de que o fato ocorreu em decorrência de uma sucessão de atos de descuido (negligência).
Mas o que importa, neste momento, é saudar os amigos que ficaram, os amigos que se foram e à nossa querida Santa Maria.
Força para todos nós.

[imagem do amigo santamariense Murilo Nogueira]

sábado, 3 de julho de 2010

Sobre Futebol e Culpabilizações

Foi terminar o jogo e as manchetes da nossa imprensa sensacionalista eram uníssonas: "De heroi a vilão". Na capa dos principais tablóides eletrônicos (v.g. Uol, Globo On Line, Terra) a mesma chamada - o que demonstra a pasteurização e a falta de criatividade da imprensa marrom. "Jornalixo puro", diria um amigo 'das antiga'.
A falta de capacidade de uma reflexão um pouco mais elaborada sobre um fenômeno nada complexo sobre o futebol - se comparado à questão da violência, p. ex. - deixa evidenciada as marcas do jornalismo autal: superficialidade e moralização da informação.
E o principal sintoma da moralização são os processos de culpabilização: identificar o inimigo, o vilão ou o aliado, o heroi. Neste pêndulo maniqueísta próprio dos pânicos morais nossa sociedade goza.
Causas da desclassificação: inúmeras; nenhuma determinante. Culpados: existem? É possível direcionar toda a raiva para o técnico - que não chamou quem a imprensa queria para manter ainda mais coeso o grupo com que vinha trabalhando desde 2006? -, o volante - pelo estado emocional? -, o goleiro - pela falha no primeiro gol?
Prefiro não culpar ninguém, pois não creio que exista "O" culpado. Fiquei triste e vou seguir assistindo aos jogos - com especial preferência pela esquadra celeste, neste momento. E esperar a continuidade do que efetivamente me interessa neste ano: Libertadores da América.
A propósito: sobre a complexidade da violência, das culpas, das demonizações e das resoluções de conflitos, o GCrim assistirá nesta semana o filme Desonra, com John Malkovich, baseado no livro homônimo do Nobel de literatura J. M. Coetzee. De conteúdo assustador...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009