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domingo, 30 de outubro de 2011

Brincando nos Campos do Senhor

O filme, dirigido pelo Babenco, eu havia assistido no cinema em 1991. Durante a semana, ao comprar alguns itens de sobrevivência em uma livraria - dentre eles o último álbum do bluesman Ryan Adams e a sétima temporada do House -, notei o relançamento em DVD.
A lembrança que eu tinha era de um filme belíssimo, com uma fotografia espetacular.
Ontem eu e a Mari assistimos novamente aos 186 minutos de "At Play in the Fields of the Lord".
Rodado inteiramente na Amanônia, o roteiro narra a experiência de dois casais de evangélicos norte-americanos que ingressam na selva para converter índios arredios à ideia de Deus. Apesar de o motivo primeiro do argumento ser razoavelmente usual no cinema - lembro, por todos, de "A Missão" -, o bondoso desejo de cataqueizar as almas pagãs ganha contornos interessantes nos procedimentos eleitos pelos missionários. Além das interpretações dos estrangeiros Tom Berenger, John Lithgow, Daryl Hanna, Adain Quinn e Kathy Bates e dos brasileiros Nelson Xavier, Stênio Garcia e José Dumont, a participação de Tom Waits é supreendente.
Lógico que o espectador deve baixar o ritmo para apreciar o desenvolvimento da narrativa, que transcorre lentamente ao longo das 03 horas. Mas a experiência é significativa.

domingo, 26 de junho de 2011

Assinatura Woody Allen

Woody Allen, para além de ser um diretor polêmico, é uma figura polêmica. Parece não haver meio termo nos sentimentos das pessoas em relação ao artista.
Desde sempre fui do bloco dos admiradores de Woody Allen. Nos primeiros filmes que assisti fui capturado pela linguagem do diretor-ator-roteirista: Play it Again Sam, Annie Hall, Interiors, Manhattan.
Com maior ou menor intensidade nunca deixei de apreciar suas obras - inclusive as últimas, de menor fôlego (Match Point, Scoop).
Em Vicky Cristina Barcelona o grande artista reaparece, mas tímido.
Sexta-feira, depois de um agradável café com o casal Maria Palma Wolff e Sérgio Salomão Schecaira, Mari e yo fomos assistir Midnight in Paris.
Não há outro adjetivo: espetacular.
No filme o velho Woody Allen reaparece e deixa sua assinatura em mais uma grande obra.
Destaque especial para Owen Wilson, um excelente intérprete do próprio Woody Allen.

sábado, 11 de junho de 2011

Direitos Fundamentais em Tela: A Invenção da Infância

O evento Direitos Fundamentais em Tela: A Invenção da Infância ocorrerá no dia 15 de junho de 2011, a partir das 18h, no Salão Nobre da Faculdade de Direito da UFRGS.
Dentre os convidados o Secretário Adjunto de Justiça e Direitos Humanos do Estado do Rio Grande do Sul, Miguel Granato Velasquez (especialista em direito comunitário e em infância e juventude), a Coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Infância e da Juventude do MP/RS, Maria Regina Fay de Azambuja (doutora em Serviço Social e professora de Direito da Criança e do Adolescente na PUC/RS). Também participará do evento a cineasta e Me. em Ciência Política Liliana Sulzbach, diretora do documentário A Invenção da Infância (BRA, 2000, 26mins).
O evento é uma realização do Círculo Universitário de Integração e Cultura da UFRGS (CUIC/UFRGS) e do Grupo 10 do Serviço de Assessoria Jurídica Universitária da UFRGS (SAJU/UFRGS), com apoio do Centro Acadêmico André da Rocha (CAAR).
Arte do cartaz: Arthur Amaral dos Reis.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

"Uivo" (o Filme) e The Ballad of the Skeletons

Depois que escrevi o post sobre Ginsberg, o poema publicado pela City Lights Books e o livro sobre o julgamento do conteúdo imoral d'O Uivo, descobri que em 2010 foi lançado filme sobre este debate.
Na realidade é um filme biográfico, protagonizado por James Franco no papel de Ginsberg, e que tem como pano de fundo o julgamento da obscenidade do poema. Assim como o livro (Howl on Trial), o filme teve como base para o roteiro as transcrições dos debates da Corte da Califórnia.
Não lembro ter lido sobre eventual lançamento no Brasil, mas o filme é muito bom e merece ser visto.
Franco está espetacular no papel - aliás, é um ótimo ator e havia chamado atenção quando interpretou o namorado de Harvey Milk (Sean Penn) em Milk (outro filme que fala muito sobre a contracultura em San Francisco).
Nos extras do DVD há gravação de Ginsberg declamando O Uivo. Primeiro: é impressionante o ritmo que Ginsberg dá ao poema; soa como uma balada de jazz. Segundo: é impressionante como Franco captou a forma ritmada que Ginsberg interpreta o texto e como conseguiu apresentar muito fidedignamente na película.
Não encontrei no YouTube leituras completas ou de qualidade do texto - fica a dica dos extras do filme. No entanto, encontrei trecho do filme que aparece a leitura de Franco de parte da terceira parte do poema; e uma apresentação de Ginsberg com McCartney, do poema (musicado) The Ballad of the Skeletons.
Creio que os vídeos dão uma dimensão interessante do que escrevi.



domingo, 16 de janeiro de 2011

Baudrillard, Matrix, Simulacros e Simulação

É reconhecida a inspiração dos irmãos Wachowski em Baudrillard para a realização da trilogia Matrix.
No primeiro episódio da série, nas cenas iniciais, ao realizar uma das suas vendas ilegais, Neo retira um de seus programas de computador subversivos de dentro de um livro, cuja capa denuncia a presença do autor francês no roteiro: Simulacra and Simulation (Simulacros e Simulação).
Um dos meus atuais prazeres é ler roteiros. Matrix, obviamente, faz parte da interminável lista de obras.
No script de Larry e Andy Wachowski:
"12. Int. Neo's Apartment.
(...) He closes the door. On the floor near his bed is a book, Baudrillard's Simulacra and Simulation. The book has been hollowed out and inside are several computers disks.
He takes one, sticks the money in the book and drops it on the floor." (grifos originais)
A cena é perceptível ao público atento, conforme as imagens.
No entanto, há um diálogo presente no roteiro que não consta no filme - na introdução do livro-roteiro os irmãos Wachowski registram que apesar de ser o roteiro final, alguns diálogos foram modificados no momento das gravações.
Após Neo escolher a red pill e ser resgatado pela Nebuchadnezzar, indaga Morpheus o que é a Matrix. Sentados na nave, o operador (Tank) os coloca dentro do programa de treinamento (construção-simulacro-simulação).
"39. Int. Construct.
(...) Morpheus: You have been living inside a dreamworld, Neo. As in Baudrillard's vision, your hole life has been spent inside the map, not the territory. This is the world as it exists today.
In the distance, we see the ruins of a future city protruding from the wasteland like the blackened ribs of a long-dead corpse.
Morpheus: Welcome to the desert of the real."

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Tropa de Elite: Artigos [GCrim Cinema]

Conforme anunciado abaixo, na próxima quinta-feira, 04 de novembro, 11:30, na Sala Alberto Pasqualini [Faculdade de Direito - UFRGS], assistiremos e posteriormente discutiremos o filme Tropa de Elite (2007).
Para auxiliar no debate e compreender o impacto que o filme causou em 2007, separei alguns textos interessantes que foram publicados na imprensa nacional logo após o lançamento da película.

Soares - Filme Perturba Até os Caveiras de Carteirinha

Rolim - Pesadelo

Reale Jr - Virtude e Terror

Freire Costa - O Ano em que Daremos Férias à Tropa de Elite

Calligaris - Tropa de Elite

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Seminários Abertos de Ciências Criminais: Questão Carcerária

O GCrim promoverá, no dia 05 de outubro, 11:30, na sala 08 da Faculdade de Direito da UFRGS, debate sobre a questão carcerária.
Será exibido o filme “A Experiência” e, posteriormente, haverá exposição dos palestrantes Daniel Achutti e Janaína Bujes.
O evento é aberto e gratuito.

sábado, 28 de agosto de 2010

A Experiência (Prisional)

Na reunião do GCrim de ontem, comentamos o Stanford Prison Experiment, realizado em 1971 (Universidade de Stanford).
Os investigadores realizaram experimento psicológico no qual os selecionadas, pessoas sem contato com a questão prisional, deveriam ficar submetidos, durante duas semanas, às condições físicas e disciplinares do encarceramento. Ao final da primeira semana o projeto teve que ser cancelado.
O site da pesquisa, com amplo relatório, pode ser acessado em http://www.prisonexp.org/.
Em 2001 a investigação foi adaptada para o cinema, com o título Das Experiment.

sábado, 10 de julho de 2010

O Segredo dos Teus Olhos

Vi o filme por indicação do Xande Wunderlich.
Para falar a verdade, ele pegou o filme, deixou na minha mesa e me disse: "velho, não venha para o escritório amanhã sem ter visto esta obra de arte." O filme é extraordinário, simplesmente.
Recentemente finalizou este texto e autorizou a publicação no Antiblog.

El Secreto de Sus Ojos: quatro leituras sobre a paixão
Alexandre Wunderlich - Professor de Direito Penal na PUCRS

O Segredo dos Seus Olhos, drama romântico-policial dirigido por Juan José Campanella (Argentina-Espanha/2009), adaptado do romance La pregunta de sus ojos, de Eduardo Sachari.

O filme
Benjamín Espósito (Ricardo Darín) é uma espécie de secretário de diligências do Ministério Público, com atuação no Juízo Penal, que acaba de se aposentar. Longe da cena judiciária, Benjamín decide escrever um livro sobre um caso de homicídio ocorrido há mais de vinte anos. De início, procura a sua antiga chefe, a Doctora Irene Menéndez Hastings (Soledad Villamil), que, nos dias atuais, representaria a Promotoria de Justiça — o filme transcorre em 1974, quando o MP não tinha a configuração atual.
Durante anos, “Benja” atuou ao lado da polícia judiciária nas investigações de crimes. O prestativo agente contava com o apoio de Pablo Sandoval (Guillermo Francella), fiel amigo e colega de cartório judicial. Sandoval é o retrato do típico burocrata (aparentemente) feliz. Funcionário público sem compromisso, simpático e sorridente, encontra na garrafa a razão de seu viver. Para fugir do trabalho, atende ao telefone da repartição, dizendo: ” banco de espermas, setor de doações”.
Procurada, e a fim de auxiliar na escrita do livro, Irene entrega para Benjamín uma antiga máquina de datilografar. Nesse momento, uma rápida frase passa desapercebida para o público leigo. Irene, ao retirar a máquina cheia de poeira de um armário da Corte Penal, declara:” – vai ajudar a escrever, mas deve ser do tempo do caso ‘Petiso Orejudo’”. Refere-se ao famoso caso que data do início do século passado, que é citado por inúmeros criminólogos, do sujeito desajustado desde a infância. A bela Irene fez uma blague com Benjamín, porém o público não tem a obrigação de entender tudo isso.
É nesse contexto que Benjamín inicia a redação de sua novela. Recorda-se, então, do crime bárbaro em que trabalhou, isto é, um violento estupro, seguido de morte. A jovem e bonita vítima era casada com Ricardo Morales (Pablo Rago), a quem Benjamín, diante do visível sofrimento experimentado pelo viúvo, promete prisão perpétua para o culpado.
Duas décadas depois do homicídio, Benjamín Espósito reconstrói o iter criminis: narra como procedeu a apuração dos fatos, o processo e o cumprimento da pena do acusado até a sua inexplicável liberação.
O recorte sobre a investigação prossegue e o roteiro leva o assistente ao passado e ao presente com leveza e rapidez. Ao tempo que reconstrói a história do crime e do processo, tempera o romance com fatos do dia-a-dia contemporâneo.
Fora o excelente drama romântico-policial que fascina a qualquer um — sobretudo quem atua nas Ciências Criminais e quem conhece um pouco da Justiça Penal —, o que me motiva a escrever é sobre a paixão que movimenta o filme ou, ainda, sobre as paixões possíveis que dão cor aos caminhos das pessoas.
A narrativa é, por si só, muito apaixonante e remete ao mundo das paixões de diversas formas e perspectivas — este é o ponto que me interessa.

Paixão 1ª
A localização do autor do delito resolve-se a partir do encontro das cartas do homicida foragido para a sua mãe, em que são citados inúmeros nomes que a princípio nada dizem. Depois, vê-se que são nomes de jogadores de futebol que marcaram a história do “clube do coração” do assassino.
Surge, aqui, a paixão como fanatismo, a paixão clubística. O filme é marcado por uma cena impactante dentro de um estádio, em um jogo do Racing Club. A cena transmite com exatidão a realidade de uma torcida de futebol — é impressionante. O significado que se extrai, nas palavras de Sandoval, é que aquele é um homem, capaz de mudar tudo, mas não muda a sua paixão pelo clube de futebol – muda de rosto, muda de mulher, muda de cidade, muda de trabalho, mas não muda de time; é paixão!

Paixão 2ª
Mas não é só isso. Sandoval, mesmo diante da mira de um revólver, fiel e leal ao amigo Benjamín — é verdade que não tinha muito a perder na vida —, quando indagado qual é o seu nome e se era de fato Benjamín, silencia, vindo a falecer no lugar de seu amigo.
O que se tem, agora, é paixão e desapego. Paixão, pelo bom amigo, que passa o filme sempre pronto para ajudá-lo; desapego, por sua vida desregrada e marcada pelo álcool. Mais do que nunca, reside aqui a paixão de um amigo pelo outro, capaz de levar à morte.

Paixão 3ª
Outra paixão é a do viúvo por sua esposa assassinada. Passam-se os anos e o homem segue na luta por Justiça — na verdade, sedento por Justiça. Passa o tempo e o assassino não cumpre a pena. Isso se deve a inúmeras razões, especialmente aquelas que sempre acabam por definir o Estado, ainda no tempo das ditaduras, como inoperante, ineficaz e, sobretudo, injusto.
A paixão do viúvo leva à paixão por Justiça. Diante da injustiça, da ausência do Estado, o justo é fazer o assassino cumprir a pena – seja de qualquer maneira. O viúvo torna-se carcereiro e consegue, então, manter o assassino preso em uma cela, especialmente preparada, na fazenda onde reside.
Enfim, o condenado cumpre a sua pena — aqui, o silêncio é a tortura. A leitura é a seguinte: onde não autuou o Estado, atuou o homem. Vale frisar, contudo, que o viúvo é um homem apaixonado, não um homem sem paixão. É um homem capaz de romper os limites e buscar a sua forma particular de fazer Justiça. Há, aqui, a paixão por vingança e por Justiça que, mesmo passados os anos, ainda impera no seu coração.

Paixão 4ª
Entretanto, a paixão essencial que move a narrativa é outra: diz respeito a Benjamín e a Irene. Ambos trabalharam juntos por mais de 20 anos. Entre olhares e gestos reveladores que não conseguem ocultar os pensamentos íntimos, eles passaram a vida em distância: perto-longe; juntos-separados. Ele acompanha o casamento dela com um sujeito que tem mais de cinco sobrenomes. Há uma passagem no filme que, diante dela, Benjamín é humilhado por um policial inescrupuloso – “você não é para ela”!
Eram contextos diferentes. Durante muitos anos, ele soube o seu lugar. Ficou assistindo à vida passar. Sozinho. Ela casou e teve filhos. E depois de vinte e cinco anos, aquela paixão não se apagou. Estava acesa. Não sucumbiu. Não era algo que o tempo pudesse abafar. Bastava um olhar... Uma palavra... O filme apresenta esta paixão impossível que, ao final, acaba por tornar-se uma realidade.
Então, o que o filme me trouxe como espectador? Que as grandes ações exigem paixão. Que não existe uma racionalidade pura. Que não se pode mudar a ordem natural das coisas sem paixão. Que talvez as grandes mudanças de uma vida ocorrem em razão da paixão. Afinal, boas e más paixões levam às boas e às más mudanças.
Uma paixão pode ser aguda e violenta, pode ser duradoura e profunda. Paixões em suas inúmeras formas, cores e cheiros. Mas, afinal, o que motiva o ser humano para além da paixão? O que faz o homem caminhar? Nada além da paixão. A paixão pelo clube. A paixão que leva ao crime e que leva à morte. A paixão patológica. A paixão por justiça, que é paixão de se buscar. A paixão por amor, que é paixão de felicidade ou de sofrimento. Não se pode, de nenhuma forma, viver sem paixão. Já dizia o poetinha "Ser feliz é viver morto de paixão."

domingo, 13 de junho de 2010

O Solista

Não tenho frequentado muito os cinemas ultimamente. E infelizmente tenho visto menos filmes do que gostaria. Assim, acabo seguindo as indicações dos amigos sobre peças que consideram imperdíveis. O Pan e a Manu indicaram "The Bubble"; o Xande Wunderlich me emprestou "O Segredo dos teus Olhos". Filmes excepcionais!
Neste final de semana, ainda (muito) impactado com a morte trágica do querido Ivan - é incrível como todas as pessoas que conversei sobre o fato foram unânimes: "não havia quem não gostasse do Ivan!", foi o comentário mais repetido - assistimos "O Solista". Não recordo quem havia mencionado, mas eu tinha uma referência de qualidade sobre o filme.
Delicado e sensível, o filme discute algo que faz questão em quem trabalha e estuda as formas jus e psi de intervenções (normalmente violentas e coativas): quando o "fazer o bem" se revela um desejo autoritário de submissão do outro à vontade do Um.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Direito e Cinema


O Lucas do Nascimento, Coordenador Geral Discente do Círculo Universitário de Integração e Cultura (CUIC), parceiro de atividades de pesquisa e extensão na UFRGS, encaminhou edital para o Projeto Cinema em Cena (CiCe).

O Círculo Universitário de Integração e Cultura (CUIC), programa de extensão universitária em estudos interdisciplinares da Arte (Literatura, Cinema, Teatro e Música), está selecionando novos membros para seu primeiro projeto, o Cinema em Cena (CiCe).
O CiCe é um projeto idealizado em 2008 por estudantes da Faculdade de Direito da UFRGS, e coordenado academicamente pela Prof.ª Dr.ª Judith Martins-Costa, objetivando promover a reflexão e difusão artístico-cultural no meio universitário por meio do estudo do Cinema. Tem ainda como objetivos a integração entre os diferentes cursos universitários e entre esses e a comunidade extra-universitária, ancorando-se na interdisciplinaridade.
Para tanto, o CiCe realiza exibições de filmes, documentários e demais produções cinematográficas, enquadradas em ciclos temáticos e seguidas por palestras e/ou sessão de debates. Dentre esses temas estão, exemplificativamente: aborto, pena de morte, imigração ilegal, insanidade mental, tráfico de pessoas, totalitarismo, democracia, uso de entorpecentes, etc. O CUIC é aberto a estudantes de todos os cursos universitários.
Caso esteja interessado em participar, envie e-mail informando nome completo, curso e telefone para cuic.ufrgs@gmail.com até o dia 05 de maio. A seleção consistirá em uma entrevista na qual o candidato falará sobre o seu interesse em participar do projeto. A entrevista ocorrerá em meados do mês de maio.
O dia da seleção será combinado conforme disponibilidade das pessoas que manifestarem interesse pelo e-mail supramencionado. Em caso de dúvida, ligue para (51) 84327506.
Espera-se dos candidatos protagonismo, ânimo para a realização de eventos acadêmicos, interesse em estudo nas áreas de Direito, Literatura, História e Cinema, bem como participação em reuniões do Conselho Deliberativo do CUIC, das quais provêem os encaminhamentos do programa.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Cinema e Direito


O debate de ontem, com o Xande Wunderlich, sobre o filme Doze Homens e Uma Sentença, foi muito interessante.
A ruptura das fronteiras entre os saberes sagrados (científicos) e profanos é a única possibilidade de salvar um pouco o pouco que resta da pretensão de verdade do projeto da Modernidade.
O problema é que muitos pensadores, ao proporem aberturas, incorrem em dois erros comuns, derivados do vício dogmático-positivista: propor interdisciplinariedade apenas como forma de fundir dois discursos científicos e, se possível, criar nova especialidade ou realizar leitura ‘científica’ do fenômeno profano – no caso, dogmatizar a obra de arte cinematográfica.
O interessante do projeto Ciclo de Cinema do Círculo Universitário de Integração e Cultura (CUIC), sob a coordenação acadêmica da Profa. Judith Martins-Costa, notadamente nesta segunda edição dedicada ao tema Crime, Pena e Processo, é permitir que a obra de arte se transforme em uma lente de aumento para a análise das formas de atuação dos operadores jurídicos e para perceber o esgotamento das formas de produção da verdade processual.
E segue hoje com o Mox e o Pan. Amanhã com o Prof. Tupinambá Azevedo.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Direito e Cinema - Crime, Processo e Pena



DIREITO E CINEMA
CRIME, PROCESSO E PENA: AFINIDADES E EMBATES ENTRE O PROCESSO PENAL E AS GARANTIAS FUNDAMENTAIS

De 5 a 8 de abril ocorrerá o II Ciclo de Cinema do Círculo Universitário de Integração e Cultura (CUIC), que abordará o tema “Crime, Processo e Pena: Afinidades e Embates entre o Processo Penal e as Garantias Fundamentais”. O evento acontecerá no Salão Nobre da Faculdade de Direito da UFRGS, contando com coordenação acadêmica da Prof.ª Dr.ª Judith Martins-Costa e iniciativa dos alunos integrantes do CUIC.
Serão palestrantes os professores Dra. Kathrin Holzermayr Rosenfield, Dr. Danilo Knijnik, Me. Alexandre Wunderlich, Me. Moysés da Fontoura Pinto Neto e Dr. Tupinambá Pinto de Azevedo. Após cada palestra, haverá exibição de filme e a realização de debates, sendo presença confirmada para esses os professores Dr. Salo de Carvalho, Me. Alexandre Costi Pandolfo e a própria Dra. Kathrin Holzermayr Rosenfield.
Do dia 5 ao dia 8, serão exibidos os filmes: ‘As bruxas de Salem’ (de 1996); ‘12 homens e uma sentença’ (de 1957); ‘Seção Especial de Justiça’ (de 1975); e, por fim, ‘Julgamento em Nuremberg’ (de 1961). Todos serão legendados em português.
As vagas são limitadas aos 100 primeiros interessados que enviarem os seguintes dados ao e-mail caarufrgs@gmail.com: nome completo, e-mail para contato e instituição de origem, ou que comparecerem ao Centro Acadêmico André da Rocha (CAAR) munidos das mesmas informações (Av. João Pessoa, 80, 90040-000 / Fone: (51) 3308-3598).
A entrada é franca. Para os interessados na emissão de certificado de participação, será cobrada taxa de R$6,00, a ser paga no momento do credenciamento. A esses, será emitido certificado de 25 horas complementares se participarem ao menos de três dias de evento.

domingo, 29 de novembro de 2009

I Ciclo de Direito e Cinema


HISTÓRIA E DIREITO: AS CATEGORIAS DA JUSTIÇA NO ANCIEN RÉGIME

Nos dias 7 e 8 de dezembro ocorrerá o I Ciclo de Cinema do Círculo Universitário de Integração e Cultura (CUIC), que abordará o tema “História e Direito: as Categorias da Justiça no Ancien Régime”. O evento acontecerá das 18h30 às 22h30 do dia 7, e das 19h15 às 23h do dia 8, no Pantheon acadêmico da Faculdade de Direito da UFRGS (Av. João Pessoa, 80, 90040-000 – Porto Alegre / RS), sob a coordenação da Prof.ª Dr.ª Judith Martins-Costa, iniciativa dos alunos integrantes do CUIC e apoio do Centro Acadêmico André da Rocha, Departamento de Direito Privado e Processual Civil e Programa de Pós-Graduação.

Serão exibidos os filmes: ‘O Retorno de Martin Guerre’ (Le Retour de Martin Guerre, França, 1982, por Daniel Vigne), no dia 7 de dezembro e ‘El último viaje del juez Feng’ (Mabei shang de fating, China, 2006, por Liu Jie), no dia 8. Os filmes serão legendados em espanhol, e os participantes receberão material preparatório ao debate.

Será palestrante a Prof.ª Dr.ª Laura Beck Varela, seguindo-se às palestras a exibição do filme e a realização de debate, sendo convidados, no dia 8, os professores doutores Carlos Alberto Alvaro de Oliveira, Daniel Mitidiero. Também participará como debatedora, no dia 7, a Prof.ª Dr.ª Judith Martins-Costa.

As vagas são limitadas aos 70 primeiros interessados que enviarem os seguintes dados ao e-mail caarufrgs@gmail.com: nome completo e instituição de origem, ou que comparecerem ao Centro Acadêmico André da Rocha (CAAR), fornecendo as mesmas informações (Av. João Pessoa, n. 80 – Porto Alegre / RS). Caso sobrem vagas, os interessados ainda terão a oportunidade de inscrição no momento e local do evento, das 18h30 às 19h15 do dia 7 de dezembro.

A entrada é franca. Para os interessados na emissão de certificado de participação, de 10 horas de atividades complementares, será cobrada taxa de R$4,00, a ser paga das 18h30 às 19h15 do dia 7.

Informações / Inscrições
CAAR – Centro Acadêmico André da Rocha
Faculdade de Direito / UFRGS
Av. João Pessoa, 80, 90040-000 – Porto Alegre / RS
E-mail: caarufrgs@gmail.com
Fone: (51) 3308-3598

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Você não é...

"Esta é sua vida boa, até a última gota.
Não vai ficar muito melhor que isso.
Esta é sua vida, e está acabando a cada minuto que passa.
Isto não é uma palestra, muito menos um retiro de final de semana.
De onde você está agora, não é nem possível imaginar como será o fim do poço.
Somente após o desastre podemos ser ressuscitados.
Somente depois de perder tudo você estará livre para fazer qualquer coisa.
Nada é estático, tudo está evoluindo, tudo está desmoronando.
Esta é sua vida, e não vai ficar muito melhor que isso.
Esta é sua vida, e está acabando a cada minuto que passa.
Você não é um belo e ímpar floco de neve.
Você é a mesma matéria orgânica decadente que todo o resto.
Somos todos parte da mesma pilha de compostagem.
Somos a maior e mais completa escória do mundo.
Você não é sua conta bancária.
Você não é suas roupas.
Você não é o conteúdo de sua carteira.
Você não é o seu câncer intestinal.
Você não é o seu capuccino.
Você não é o carro que você dirige.
Você não é a marca das suas calças.
Você precisa desistir.
Você tem de desistir.
Você precisa se dar conta de que um dia, você vai morrer.
Enquanto você não perceber isso, você é inútil.
Eu digo: Que eu nunca esteja completo.
Eu digo: Que eu nunca esteja contente.
Eu digo: Livra-me do mobiliário sueco.
Eu digo: Livra-me da arte 'original'.
Eu digo: Livra-me de uma pele sem manchas e dentes perfeitos.
Eu digo: Você precisa desistir.
Eu digo: Evolua e ignore as consequências
."
(Extraído do Clube da Luta, Direção de David Fincher)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Laranja Mecânica

O Programa Direito & Literatura sobre o livro Laranja Mecânica, do qual participei como debatedor, irá ao ar nos seguintes dias e horários.
TVE (Rio Grande do Sul): domingo (08/11), às 20h30min; e terça-feira (10/11), às 23h.
TV JUSTIÇA (Nacional): domingo (22/11), às 12h; e terça-feira (24/11) às 6h30min.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Código Tarantino

O curta interpretado pelo Selton Melo e pelo Seu Jorge é genial. Com a ajuda do Mox disponibilizo no Antiblog.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Laranja Mecânica


Participei, no sábado pela manhã, da gravação do programa Direito e Literatura, do Instituto de Hermenêutica Jurídica (IHJ). O debate com o prof. Ricardo Barbarena foi mediado pelo amigo Lênio Streck e irá ao ar no dia 08 de novembro, conforme a grade de programação abaixo.
Como estou em meio à redação do ensaio teórico da investigação de Pós-Doc sobre Penalogia Contemporânea, foi interessante retomar o livro de Burgess.
A narrativa, genialmente trazida para o cinema por Kubrick, marca a passagem dos discursos penalógicos da primeira para a segunda modernidade penal: do retributivismo e das teorias de prevenção geral negativa do século XIX ao correcionalismo behaviorista e defensivista do século XX.
No entanto, importante que se diga, o significado criminológico do livro se esgota na década de 70 com os discursos críticos. Atualmente serve como narrativa da experiência punitiva do século passado. Inclusive porque a ruptura com o correcionalismo provocou terceira onda penalógica que irá marcar a hegemonia do discurso da pena merecida (just desert) durantes os anos 80 e 90.
As formas de intervenção punitiva nos países centrais a partir da década de 80 refletem aquilo que se conhece na atualidade como política criminal punitivista, igualmente em crise em decorrência dos altos índices de encarceramento e do descontrole da questão criminal.
Nesta segunda etapa de crise e de crítica que vivemos atualmente, a hegemonia sucumbiu e os discursos penalógicos se proliferam e são servidos à la carte conforme a preferência político-criminal do consumidor do discurso penal.

Direito e Literatura: do Fato à Ficção
3ª Temporada - Grade de Programação (TVE/RS)
31° Programa Laranja Mecânica, de Anthony Burgess
Apresentação: dia 08 de novembro, domingo, às 20h30min
Reapresentação: dia 10 de novembro, terça-feira, à 23h10min
Mediador: Prof. Dr. Lenio Luiz Streck (IHJ)
Convidado: Prof. Dr. Salo de Carvalho (Direito/PUCRS)
Convidado: Prof. Dr. Ricardo Barberena (Letras/PUCRS)

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A Casa dos Mortos


No Seminário Internacional do IBCCrim deste ano recebi, em DVD, o filme "A Casa dos Mortos", dirigido pela Débora Diniza, antropóloga (UnB) e documentarista. Trata-se de verdadeira etnografia, registrada em película, sobre os temas sanidade-loucura, (anti)psiquiatria, reforma psiquiátrica/movimento antimanicomial e o papel das instituições no tratamento punitivo da loucura.
Ontem de noite, ao chegar em casa, a Mari estava vendo o documentário. Assistimos juntos a parte final. Hoje pela manhã, ao abrir meus e-mails, o Gustavo Ávila havia me enviado link do filme.
No sítio web é possível assistir, na íntegra, o documentário: www.acasadosmortos.org.br/.




domingo, 27 de setembro de 2009

Cinesofia - Povo Marcado


A Thaís Zanetti envivou e-mail sobre o projeto Povo Marcado.
É que a Cadeia Feminina de Votorantim/SP desenvolveu este projeto (Povo Marcado), realizado pela Secretaria de Cultura de Votorantim com o apoio da Polícia Civil, fruto de outro denominado Projeto Arte na Cadeia. Inclusive foi realizado o filme "Povo Marcado" para demonstrar a realidade carcerária destas mulheres. O Filme recebeu diversos tipos de prêmios, inclusive em Gramado e outros internacionais.