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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Etnografia à Sangue Frio


Fui presenteado pela Mari com o livro do Capote, "A Sangue Frio". Há tempos, diga-se. Fiquei protelando a leitura, pois sempre há algo urgente a ser lido.

Tinha visto dois filmes baseados no livro que, segundo o próprio Capote, inaugurava um novo gênero, o "romance não-ficcional". Algo entre a literatura e o jornalismo.

Capote levou 06 anos para publicar a narrativa do assassinato da família Clutter, ocorrido em 1959, em Holcomb, Kansas, uma pequena vila no interior profundo dos Estados Unidos.

Durante os seis anos de pesquisa, o cara se mudou para a pequena cidade, conviveu com a comunidade durante praticamente 02 anos, realizou número infinito de entrevistas, presenciou o local dos fatos, conversou com os autores do homicídio e acompanhou-os até a execução da pena capital.

A narrativa é impressionante, pois o autor realiza profunda imersão no seu campo e apresenta o 'caso' a partir do diálogo franco com pessoas que, de forma evidente ou distante, se sentiram envolvidas. Sem pudores, sem moralismos e com muita paixão.

Etnografia é romance não-ficcional, como sugeriu a Mari recentemente.

2 comentários:

Mari disse...

Eu sugeri que o trabalho do Capote era semelhante às etnografias do Hélio Silva, por exemplo, pesquisas apaixonadas, sem nenhuma neutralidade e escritas em forma de romance, deliciosas de se ler. E na verdade, TU hoje nominaste a etnografia de romance não-ficcional. (Mais) uma parceria, portanto...

marcelomayora disse...

Pensei exatamente isso ao ver o filme, e o In cold blood é o livro que será lido nas minhas aulas de inglês. Aliás, venho pensando numa aproximação da criminologia com o "novo jornalismo".