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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Imagens Dizem Coisas, Dizem...

A Mari Wudich enviou o banner publicitário do vestibular para a Faculdade de Direito da Fundação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (opção 02 no site oficial da Instituição - www.fmp.com.br/).
Vou simplesmente me abster de quaisquer comentários.
Mas ficam inúmeros questionamentos, sobretudo os relativos à imagem que a Instituição quer transmitir aos seus candidatos e aos futuros acadêmicos.

33 comentários:

Anônimo disse...

Salo, sou Promotor (fora do RS) e me sinto envergonhado com essa imagem. Abs, Marcelo

Achutti disse...

beh...

Helena Costa Franco disse...

Lamentável...

MW disse...

O que me preocupa é o tipo de "operador do direito" que esta instituição irá formar. Se podemos falar em formação... "Medo".

Fernando Piccoli disse...

Como assim???
Minha nossa,
pára o mundo...

diogobacha disse...

Primeiro que ja é um absurdo uma faculdade vinculada a um órgão. Há, no minimo, perda da autonomia didatico-cientifica. Qual profissional pretendem promotores-paladinos de uma sociedade transviada?
Abraços

Achutti disse...

O mais foda é que, pensando bem, não deveríamos nos surpreender com um banner desses. Afinal de contas...

Arthur disse...

que nojo

Anônimo disse...

haha

gabrieldivan disse...

FACULDADES OAB, pra quando?

DE NADA pela ideia ($$$$$) pe$$oal...

gabrieldivan disse...

Alias, "ANTI-Programa de (RE)Grad. ICA", pra quando?

E$$$tou hoje uma maquina de pensamentos com potenciais lucrativo$$$$$

Rafael E. de Andrade Soto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rafael E. de Andrade Soto disse...

Havia visto esse banner em um ônibus.. Carrascos desalmados ensinando métodos punitivos. As aulas serão uma loucura.. Loucos. Sem cura.

tovo disse...

parafraseando Fayet Jr.: "Polícia!!!"

Thaís Zanetti de Mello Moretto disse...

Auto-explicativo!
Mas as algemas já induzem à alternativa...
Céus

Mari disse...

O que me espanta é expressarem de forma tão escrachada aquilo que "veladamente" muitos promotores praticam todos os dias, sob o rótulo de "direitos humanos das vítimas". Isto é, pra virar uma imagem tão forte a FMP tem de acreditar na ideia (o que não causa espanto nenhum, obviamente), mas mais, acredita que a ideia de optar abertamente pela punição em detrimento da recuperação (o que as algemas esclarecem bem) é legítima. E isso me parece o pior de tudo.

Fernando Piccoli disse...

E as algemas, ainda por cima, além de tudo, estão fechadas.

Gilnei J. O. da Silva disse...

PUTZ! – “viva o direito na fmp” – assim...!??!

A propósito, talvez seja oportuna ver/ler a tese de doutorado, de autoria de Frederico de Almeida, “A nobreza togada: as elites jurídicas e a política da Justiça no Brasil”, defendida recentemente na FFLCH/USP.
Estou gostando do que está a revelar este estudo (tanto que postei o informe dele no meu blog); continuarei a ler. Vale conferir! Se quiserem/puderem dar uma olhada/lida, acessem biblio.digital USP < http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8131/tde-08102010-143600/pt-br.php > ou via link lá meu blog.

É isso valeu. Abraços!
Gilnei J. O. da Silva

Felipe Bertoni disse...

FMP - Cursada por 80% dos Promotores de Justiça. Uh-oh ...

BRA disse...

Previsível e lastimável!

Kado disse...

O mais legal é que a questão é de cruzinha, não precisa justificar. ...rsrs...

gabrieldivan disse...

MUITO BOA,Kado! (acima)

Pandolfo disse...

A lógica do MP, essa instituição, digamos assim, fanática, foi prescrita por um de seus membros numa palestra aqui em Rio Grande, organizada em parceria entre a FURG e o MP, e realizada ainda no primeiro semestre, na qual os professores ali presentes e os alunos tiveram que ouvir da boca fétida daquele representante do conservadorismo e do tecnicismo que "há muitos professores nas faculdades de direito".

Anônimo disse...

Acredito que muitos aqui estejam vendo "chifre em cabeça de cavalo". Não vejo nenhum problema na mensagem transmitida com a imagem, apenas um convite - muito criativo, por sinal - buscando trazer os universitários ao mundo do debate crítico.

O que se buscou, acredito eu, foi discutir um assunto há muito tempo comentado no âmbito social. É claramente perceptível que hoje em dia muitas pessoas, exerçam elas um cargo público ou não, acreditam que a pena privativa de liberdade é a única solução para a crise de violência que corrói nossa sociedade. Assim, a idéia do banner é justamente ouvir dos futuros alunos o que eles acham disso, incentivando assim, o aperfeiçoamento racional.

Enfim, se a idéia do post foi criticar a instituição, poderia o autor ter, ao menos, justificado seu ponto de vista.

SC disse...

claro, "anônimo", claro.
concordo plenamente contigo, quem seria eu para discordar: o objetivo da publicidade foi efetivamente o "aperfeiçoamento racional dos futuros alunos".
e imagina se eu teria a ousadia de ousar ousadamente criticar "'A' instituição". embora não saiba a qual "instituição" você esteja anonimamente referindo.
e se não ficou muito compreensível, posso desenhar: o ponto de vista era demonstrar que "imagens dizem coisas". e como dizem...
assim como "palavras dizem coisas".
aquela coisa de significante, significado... saca?
SC

Anônimo disse...

aperfeiçoamento racional? essa expressão não me soou bem... por algum motivo, me fez lembrar do holocausto...

opinar sem se identificar é uma barbada, gostei disso! certamente colaborará para o aperfeiçoamento racional das pessoas. e de um debate crítico, claro.

Marcelo Mayora disse...

O banner está de acordo com a lógica da instituição Ministério Público, que do meu ponto de vista é um dos grandes responsáveis pela manutenção do genocídio em ato que é o sistema penal latino-americano. A cada nova bizarrice praticada pelos institucionalizados da instituição, fica mais evidente o anacronismo, a ignorância e o autismo de grande parte do Ministério Público. Aliás, isso ficou bem claro na pesquisa a respeito das concepções político-criminais dos membros do MP. Foi possível perceber que não há qualquer concepção político-criminal, mas um senso comum teórico engraçado se não fosse trágico.
Recomendo uma breve leitura do "Em busca das penas perdidas", principalmente da parte que fala do imperativo ético dos juristas da margem.
Acho engraçado que alguns promotores não tomem medidas contra a própria existência da FMP, como fizeram com as escolas dos sem-terra... Ah, claro, esqueci, é que o direito não é ideológico...

Zé disse...

O vínculo entre direito e algemas só não é mais óbvio do que o vínculo entre ministério público e algemas, portanto uma faculdade de direito do MP ter uma algema como símbolo não me parece algo muito criativo. Ainda que isto possa ser enquadrado em alguma versão obscura de criatividade (como piadas contra negros, gays e judeus), ver em tal obra de arte um potencial crítico ofende mesmo uma racionalidade rasteira. Se a "crítica" está na palavra "recuperação", vista como algo benéfico e aceitável, então o autor conseguiu confirmar, também, outro vínculo fácil com o MP...

Pandolfo disse...

Ora, que seja perceptível que hoje em dia muitas pessoas acreditem que a pena privativa de liberdade é a única solução para a crise de violência, diz apenas do caráter quantitativo desta percepção e não da qualidade ao perceber. E que as pessoas, em sua maioria, ainda acreditem nisso, diz contra a própria forma de como elas percebem e procedem à crise, procedem à isso, incapazes de transformá-la em crítica. Temem a crise, recalcam-na e procuram-na, para poderem se retroafirmar. Assim, o que corrói a nossa sociedade é a manutenção dessa lógica instrumental, lógica do quê o sistema penal é uma expressão legalizada; mito. A ideia do banner, então, é manter a impossibilidade do pensamento mesmo - que, por sê-lo, precisa chocar-se com o que é diferente dele e não acoplar a realidade em seu nome próprio. Por ser pensamento o pensamento precisa se desidentificar com a realidade e, necessariamente, não dominá-la. É assombroso que a violência seja restringida, pela fraqueza teórica dos técnicos, à imagem das correntes respondendo entre punir ainda mais e punir mais ainda.

Mariana Garcia disse...

"apenas um convite - muito criativo , por sinal (...)"
Acho que somos nós, perseguidores de chifres em cabeças de cavalos, que não temos nenhum senso crítico...como pudemos duvidar da sagacidade super criativa dos excelentíssimos doutores?!?!
Oh...estou chocada por não notar essa mensagem no banner...
Peloamordedeus...é por isso que o lagarto nasceu surdo!

Anônimo disse...

Bom, acredito que, pelo nível dos comentários, aqui ninguém mudará de opinião.

Recomendo apenas que deem uma olhada nos outros banners - que seguem o mesmo estilo - produzidos pela Faculdade. Através da uma análise sistêmica, verão que a ideia que se buscou transmitir diverge da interpretação dos comentários.

E, não querendo pedir demais, mas já pedindo, pensem só um pouquinho se TODO membro do Ministério Público é realmente fanático pela prática punitiva exacerbada.

Acredito que classificar todo membro do MP como fanático pela punição é o mesmo que rotular todo advogado como um mentiroso. Nem sempre o senso comum está correto.

pensandoumpouquinho disse...

"A FMP propõe uma formação global enfatizando conteúdos do direito público, importantes para quem deseja seguir carreira de Estado, como combate ao crime organizado, (...), além de ser preparado para atuar na área privada, o aluno tem sua formação complementada para atuação nas carreiras públicas."

"FACULDADE ESPECIALIZADA NO ENSINO JURÍDICO COM FOCO NO DIREITO PÚBLICO E CARREIRAS DO ESTADO"

E mais:"Conteúdos específicos do Direito desde o primeiro dia de aula."

Fernando Piccoli disse...

Aceitando um convite do nosso amigo Anônimo, vamos partir pra "análise sistêmica":

Recomendo a todos esta "cartilha", retirada do site da FMP, que ilustra e explica, de forma inigualável, o que vem a ser a carreira de Promotor de Justiça. Aliás, uma cartilha produzida pela própria instituição, com a visão da mesma sobre os promotores...

É sensacional!

A começar pelo título. "Promotor de Justiça? Que bicho é esse?"

http://www.fmp.com.br/arquivos/atuacao_promotor/cartilha_sem_borda.html