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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Tempo que Foge


"Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora.
Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltavam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. 
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte. 
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. 
Já não tenho tempo para conversas intermináveis para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha. 
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas que, apesar da idade cronológica, são imaturas. 
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral ou semelhante bobagem, seja ela qual for. 
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa... 
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado 'dos seus' [adaptação agnóstica]. 
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo. O essencial faz a vida valer a pena. Basta o essencial!
O texto foi retirado do perfil oficial de Rubem Alves no Facebook, disponibilizado em 23 de dezembro de 2013, compartilhado da linha do tempo do Geraldo Prado e com uma sutil adaptação agnóstica, substituindo o original 'ao lado de deus' por 'ao lado dos seus'. Após uma breve pesquisa na web, encontrei um texto muito semelhante, em algumas passagens praticamente idêntico, intitulado 'Tempo que Foge', de Ricardo Gondim, publicado em 10 de maio de 2008.
Independentemente da autoria e da crença do autor, o texto fala muito do meu sentimento e do meu estado de espírito atuais.
E as jabuticabas poderiam ser trocadas por bolinhas de cinamomo...