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sábado, 3 de outubro de 2009

Joaquín morreu. [silêncio] Viva Joaquín! [aplausos]


Conheci Joaquín Herrera Flores em Curitiba, em novembro de 1999, no II Congresso de Direito e Psicanálise - A Lei e a lei. Havia defendido minha tese de doutoramento naquele ano na UFPR. Joaquín, ao saber, fez o convite para que eu lecionasse disciplina de Garantismo e Direitos Humanos no Doutorado em Direitos Humanos e Desenvolvimento, da Universidade Pablo de Olavide (UPO), em Sevilha.
Já tinha ouvido falar muito nos teóricos de Sevilha, de Joaquín e de David (Sanchez Rúbio), pelo pai. O velho, durante o biênio letivo de 1994 e 1995, foi para La Rábida, na Andaluzia, fazer o Master em Teoria Crítica do Direito, curso organizado por Joaquín e David, semente do Doutorado da UPO.
A imagem dos dois andaluzes foi sempre presente na minha vida acadêmica, na redação da dissertação e da tese, nos escritos sobre Direito Alternativo.
Após a primeira experiência docente em janeiro de 2000, fui convidado para lecionar nas edições posteriores do Curso. Assim, pude desfrutar do convívio com Joaquín e com David e com a série de alunos e de professores que têm Sevilha como referência na Teoria Crítica dos Direitos Humanos.
A partir desta primeira experiência, conquistei novos amigos, novos irmãos de caminhada.
Juntos - eu, Joaquín e David - organizamos os Anuários Iberoamericanos de Direitos Humanos, cujos textos, na íntegra, disponibilizarei no Antiblog. O terceiro volume, sem assinatura de organização, publicado pela Edipucrs, em breve será editado em e-book. Sob a influência da teoria crítica dos Direitos Humanos reli o garantismo, em texto publicado no último Anuário.
Não tenho (não temos) palavras para dimensionar a perda.
Conforme vocês podem notar, estamos todos chocados com o fato de que, de uma hora para outra, não teremos mais o convívio com Joaquín.
Mas seus escritos estão nas prateleiras das livrarias e das bibliotecas e sua risada ecoa pelos corredores da UPO e pelas ruas de Sevilha, o que faz com que siga conosco.
Recentemente a Lumen Juris publicou a tradução de sua principal obra, Teoria Crítica dos Direitos Humanos: os Direitos Humanos como produtos culturais. Das últimas páginas retiro este pequeno fragmento:
"Dizia Celaya [Gabriel Celaya, poeta espanhol]: 'Maldigo la poesía concebida como un lujo/ cultural pero neutral/ que, lavándose las manos se desentienden y evaden. Maldigo la poeía de quien no toma partido hasta marcharse.'
Substituamos poesia por teoria e nos aproximaremos do princípio de dignidade que está latente nas páginas deste livro. Substituamos poesia por teoria e compreenderemos a profundidade dos versos de Celaya: versos escritos a partir da indignação e da vontade de encontros de todos os que resistem a assumir o mundo como dado de uma vez por todas. Substituamos poesia por teoria e teremos um argumento a mais para a luta social contra a injustiça e a opressão. (...)
Afirmemos a potência de nossa inteligência e de nossa capacidade de criar sentidos novos ao mundo. Enfim, redobremos a potência do constituinte, do ser humano, de tudo auilo que o coloca em tensão em direção a um novo acontecimento, em direção a um tipo de ação, em direção a um mundo possível e melhor."
Joaquín morreu. [silêncio] Viva Joaquín! [aplausos]

3 comentários:

Amilton disse...

Viva Joaquín! Viva!

Vinícius disse...

Viva!

Rabell disse...

Vivaaaaaaaa um Homens mais notáveis que conheci..Amado Mestre, que continuemos sua luta pela dignidade humana, Viva para Sempre em nosso Coração e na Luta, sem medo e com coragem!!! Viva Joaquín Herrera Flores!!!